Kilimanjaro 2026 – Voltar à montanha, voltar a mim
Há lugares onde vamos para chegar ao topo. E há lugares onde vamos para nos reencontrarmos pelo caminho. – Carlos Medeiros
Muitos me perguntam porque continuo a subir montanhas.
E, sobretudo, perguntam-me: vais voltar? A resposta é simples: sim.
Volto porque, na montanha, consigo colocar a vida em perspetiva. Consigo desligar. Consigo afastar o ruído e concentrar-me no que realmente importa.
Passo centenas de dias por ano fora, entre produções, eventos, viagens e projetos em diferentes partes do mundo. Estou habituado a viver a um ritmo acelerado, a resolver, decidir, antecipar, estar sempre ligado. Parar, para mim, é um exercício quase impossível.
Mas na montanha acontece qualquer coisa diferente. As urgências ganham outra dimensão. O silêncio ocupa espaço.
É também aí que surge a criatividade. Que ganho resiliência. Que encontro respostas para perguntas que, no meio da velocidade do dia a dia, não tinha sequer conseguido formular.

Voltei ao Kilimanjaro em 2026 e, embora a rota tenha sido a mesma, sei que o meu caminho não foi igual. Tal como a montanha, estamos sempre em constante mudança e o Carlos de hoje, não é o mesmo de ontem e não será, certamente, o mesmo de amanhã.
Houve algumas curiosidades nesta segunda expedição. A nossa equipa mais do que triplicou em relação à primeira experiência. E talvez seja essa uma das maiores aprendizagens desta subida: a montanha transforma-se quando a partilhamos com as pessoas certas.
Cada pessoa levou consigo a sua própria história, os seus limites, os seus medos e as suas razões para estar ali. E, ao longo dos dias, fomos deixando tudo isso pelo caminho.
Alguns ficaram para a vida.
O António Tamagnini, parte da nossa equipa Xjourney, foi um desses pilares. Ao meu lado na montanha, nos momentos bons e nos menos fáceis, foi muito mais do que companhia. Foi presença, força e confiança.
Mas houve também quem não subisse connosco.
Todos os que ficaram no escritório, a acompanhar, a torcer, a perguntar por nós e a celebrar cada etapa, fizeram parte desta conquista. Porque nenhuma montanha se sobe verdadeiramente sozinho.
Subimos também com os nossos clientes, alguns dos quais se tornaram amigos. Com parceiros com quem reforçámos ligações. Com pessoas que confiaram em nós para viver uma experiência que ficará marcada como um momento importante das suas vidas. Há algo que nos dê mais orgulho do que fazer parte de um momento tão emblemático na vida de alguém? Dificilmente.
E tivemos connosco pessoas que acrescentaram novas perspetivas à caminhada.
O nosso amigo e parceiro local Praise, que nos acompanhou com a sua equipa e garantiu a nossa segurança, permitindo-nos enfrentar a montanha com confiança.
A Carla Rocha, a nossa guru da comunicação, que nos mostrou como a montanha pode ser um extraordinário paralelismo com os desafios que enfrentamos todos os dias na comunicação: saber ouvir, adaptar, escolher o momento certo, perceber o contexto e, acima de tudo, continuar a comunicar quando o caminho se torna mais difícil.
E o Bernardo Gama, o nosso guia Body, Mind & Soul, que nos ensinou algo que parece tão simples, mas que tantas vezes esquecemos: parar, respirar e estar presentes.
Na montanha, cada passo conta.
Não podemos acelerar a altitude. Não podemos negociar com o corpo. Não podemos fingir que estamos bem quando não estamos.
A montanha obriga-nos a ouvir.
E talvez essa seja uma das maiores lições que trago desta segunda subida ao Kilimanjaro: conhecer os nossos limites não significa desistir. Significa saber respeitá-los para poder continuar.
O topo não é necessariamente o cume.
O topo é o nosso máximo. É aquilo que, naquele momento, conseguimos dar. É o nosso limite, a nossa superação, a nossa conquista.
E isso é profundamente aplicável à vida e aos negócios.
Nem sempre precisamos de ir mais longe. Às vezes precisamos de parar, respirar e perceber até onde conseguimos ir no momento.
Esta subida ensinou-me, uma vez mais, que liderar também é isto.
É caminhar ao lado. É confiar. É saber quando puxar e quando esperar. É perceber que cada pessoa tem o seu ritmo e que chegar juntos é, muitas vezes, mais importante do que chegar primeiro.
Regresso do Kilimanjaro cansado, mas sobretudo grato.
Grato à equipa que esteve comigo. Aos que ficaram em terra. Aos clientes que confiaram em nós. Aos parceiros que caminharam connosco. E a todos os que fizeram desta experiência muito mais do que uma subida a uma montanha.
Eu volto sempre diferente.
Talvez porque a montanha nos tira tudo aquilo que é acessório e nos devolve ao essencial.
E é precisamente por isso que continuo a subir. Porque cada vez que volto à montanha, encontro um pouco mais de mim.
E porque acredito que é essa experiência de superação, de descoberta e de transformação que queremos continuar a proporcionar através do nosso projeto XMountain.
Outras montanhas virão. Outros desafios também.
Mas, por agora, fico com uma certeza: o mais importante nunca foi chegar ao topo. Foi tudo aquilo que aconteceu enquanto subíamos.
E talvez seja precisamente por isso que esta montanha nos tenha mostrado que ainda há muito caminho para fazer. Muito para descobrir, desafiar e viver juntos. Já estamos a preparar a terceira edição do Kilimanjaro e, ao mesmo tempo, a olhar para um novo horizonte: o Base Camp do Everest. Porque, depois de cada cume, há sempre uma nova montanha a chamar por nós. E nós queremos continuar a responder.
















